domingo, 3 de maio de 2020

Língua Portuguesa - 7°/8° - 04/05/2020 a 08/05/2020



EMEB ESTUDANTE FLAMÍNIO ARAÚJO DE CASTRO RANGEL
NOME: _______________________________ DATA: ______________

LÍNGUA PORTUGUESA – EJA – 7⁰/8⁰

 ATIVIDADES DE 04/05/2020 A 08/05/2020

LEIA AO TEXTO ABAIXO PARA REALIZAR AS ATIVIDADES.

Quarentena em Família


Leia relatos e experiências de Érica Fraga, repórter que tem três filhos pequenos.

Após corte de cabelo doméstico, meu marido parece um monge budista

Já me diverti lendo os textos de alguns cronistas como Antonio Prata, narrando suas ilusões no início desta quarentena, como: "escreverei um romance de 800 páginas".
Meu marido não é escritor, mas também achou que, na clausura, conseguiria feitos inéditos, como dar uso às quinquilharias que compra na internet e acabam guardadas pegando poeira.
Até que, no último domingo, ele anunciou: vou passar máquina no cachorro e nos cabelos dos meninos. Tomando uma xícara de café, tive um leve engasgo.
Minha primeira reação foi defender meu cãozinho idoso:
"O tempo está começando a esfriar e se ele pega um...."
Coronavírus, gripe, pneumonia...Meu cérebro buscava uma desculpa e consegui formular um:
"E se ele pega uma gripe?"
Ele contra argumentou: "Mas ele anda perdendo muito pelo".
Usei meu direito de tréplica: "Ele é idoso, não pode passar por tosa em maio".
Ele retrucou: "Ainda é abril".
Resolvi encerrar a conversa com: "Quando ele dá trabalho, você fala que o cachorro é meu. Como ele é meu, decido que ele não será tosado".
Funcionou. Contra fatos não há argumentos (ou não deveria haver).
Com os filhos, essa conversa não colaria, claro. Além de estarem parecendo leões, com jubas enormes que tapam os olhinhos, os três são de nós dois.
Super animado, ele dizia: "Confie em mim, vai ficar ótimo, vi vídeos no Youtube".
Resignada, consegui arrancar dele o compromisso de que primeiro passaria a máquina no próprio cabelo dele e, depois, no dos meninos. Meu argumento decisivo foi:
"Se você está tão seguro, corte o seu primeiro. Se ficar bom, você corta os deles".
Alguns minutos depois, ouço: "Érica, dá um pulinho aqui, por favor".
Entro no banheiro e meu lindo marido parecia um monge tibetano. Não sabia se ria, chorava, corria... Mas correr para onde em pleno isolamento social?
Enquanto tentava disfarçar minha fisionomia, ele perguntou (incrivelmente, ainda animado): "Não ficou tão ruim, né? Me ajuda aqui com a parte de trás?".
"Ajudar com o que, criatura? Não sobrou nada", respondi.
A ficha dele, neste momento, finalmente, caiu: "Ficou muito curto, né? Preciso praticar mais".
Eu: "Sim, daqui a uns meses, você estará craque, aí pode cortar o cabelo da família toda".
Ufa, a paz do domingo voltou a reinar.

                   Relato retirado da coluna EQUILÍBRIO E SAÚDE, Folha de S. Paulo: https://aovivo.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/03/18/5891-quarentena-em-familia.shtml


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