EMEB ESTUDANTE FLAMÍNIO
ARAÚJO DE CASTRO RANGEL
NOME:
_______________________________ DATA:
______________
LÍNGUA
PORTUGUESA – EJA – 7⁰/8⁰
LEIA AO TEXTO ABAIXO PARA REALIZAR
AS ATIVIDADES.
Quarentena em Família
Leia relatos e experiências de Érica
Fraga, repórter que tem três filhos pequenos.
Após corte
de cabelo doméstico, meu marido parece um monge budista
Já me diverti lendo os textos de alguns cronistas
como Antonio Prata, narrando suas ilusões no início desta quarentena,
como: "escreverei um romance de 800 páginas".
Meu marido não é escritor, mas também achou que, na clausura,
conseguiria feitos inéditos, como dar uso às quinquilharias que compra
na internet e acabam guardadas pegando poeira.
Até que, no último domingo, ele anunciou: vou passar máquina no
cachorro e nos cabelos dos meninos. Tomando uma xícara de café, tive um leve
engasgo.
Minha primeira reação foi defender meu cãozinho idoso:
"O tempo está começando a esfriar e se ele pega
um...."
Coronavírus, gripe, pneumonia...Meu cérebro buscava uma desculpa
e consegui formular um:
"E se ele pega uma gripe?"
Ele contra argumentou: "Mas ele anda perdendo muito
pelo".
Usei meu direito de tréplica: "Ele é idoso, não pode
passar por tosa em maio".
Ele retrucou: "Ainda é abril".
Resolvi encerrar a conversa com: "Quando ele dá trabalho,
você fala que o cachorro é meu. Como ele é meu, decido que ele não será
tosado".
Funcionou. Contra fatos não há argumentos (ou não deveria
haver).
Com os filhos, essa conversa não colaria, claro. Além de estarem
parecendo leões, com jubas enormes que tapam os olhinhos, os três são de nós
dois.
Super animado, ele dizia: "Confie em mim, vai ficar ótimo,
vi vídeos no Youtube".
Resignada, consegui arrancar dele o compromisso de que primeiro
passaria a máquina no próprio cabelo dele e, depois, no dos meninos. Meu
argumento decisivo foi:
"Se você está tão seguro, corte o seu primeiro. Se ficar
bom, você corta os deles".
Alguns minutos depois, ouço: "Érica, dá um pulinho aqui,
por favor".
Entro no banheiro e meu lindo marido
parecia um monge tibetano. Não sabia se ria, chorava, corria... Mas correr para
onde em pleno isolamento social?
Enquanto tentava disfarçar minha fisionomia,
ele perguntou (incrivelmente, ainda animado): "Não ficou tão ruim, né? Me
ajuda aqui com a parte de trás?".
"Ajudar com o que, criatura? Não
sobrou nada", respondi.
A ficha dele, neste momento,
finalmente, caiu: "Ficou muito curto, né? Preciso praticar mais".
Eu: "Sim, daqui a uns meses,
você estará craque, aí pode cortar o cabelo da família toda".
Ufa, a paz do domingo voltou a
reinar.
Relato
retirado da coluna EQUILÍBRIO E SAÚDE, Folha de S. Paulo: https://aovivo.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/03/18/5891-quarentena-em-familia.shtml
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